Inativo

Bom, mudei de blog, pois queria mudar o nome (de tanto que o Victor Bruno xingou “Cineshit”, mas que nós sempre saberemos que é genial). E até pra deixar tudo mais organizado e abandonar o parágrafo pra fazer, sei lá, uns 3 ou 4. Enfim, esse vai continuar no ar pelos textos antigos, mas eu tou aqui, ó:

www.projetorambulante.wordpress.com

Se bem que esse novo título continua uma bosta. uheuehueh


O boteco de Marte

É tudo um sonho!


A Mulher de Preto (James Watkins, 2012)

Colocando a língua a queimar aqui, mas até eu rever, nada vai me tirar da cabeça que A Mulher de Preto, filminho com o Harry Potter, é bom. De imediato, lembrei de Operazione Paura, do Bava (tudo tá levando a ele) e À Meia-Noite Levarei Sua Alma, do Mojica. Isso porque Mulher de Preto afoga seus personagens em um universo devastado por uma maldição, num conto de fábulas de terror que se desprende da literatura quando Watkins dá vida a ele em seus enquadramentos de ângulos tortos que distorcem o fundo, com seus cortes repentinos e uso da subjetiva, usando assim o extracampo como nos filmes do Argento (mas com ele, fica só aqui), com seus cenários cheios de cores, empoeirados, um jogo de iluminação e sombreamento interessante e a transformação desse todo em um labirinto sem saída, que gira em torno de si e da resolução de um mistério. E tudo isso serve apenas para a criação de uma sufocante atmosfera de enorme poder sensorial quando consegue envolver.

O problema tá nesse quando. A atmosfera, todos os seus detalhes meticulosa e harmonicamente encaixados, às vezes é rompida com o aparecimento de alguns sustos imbecis: mas ok, afinal, é um filme que tem que seguir as normas comerciais do cinema atual. Além disso, o personagem principal é irritante: não que o problema esteja na cara de bunda do Radcliffe, mas o personagem em si é inofensivo, sem algum código de honra ou atitude realmente heroica, sem uma reação ao universo apocalíptico que o rodeia, que o torna desinteressante, passando a funcionar apenas como uma engrenagem para que o filme flua, o que é um desperdício.

E tudo parece o À Meia-Noite Levarei sua Alma quando vemos que isso aí é a exposição do terror clássico e mais genérico mesmo, com alguém apaixonado pelo gênero tendo a oportunidade de contar a sua história, mais pro lado que amedronta que pro lado que assusta.

Enfim, não morro de amores, mas é um filme interessante sim.

3/5


Alucarda (Juan López Moctezuma, 1978)

Alucarda, filme B até o osso e fortemente influenciado pelos contos de horror do cinema (desde Operazione Paura até Carrie), tem toda sua beleza visual desperdiçada quando surge a porra de um discurso infeliz sobre os mais diversos temas (mas que na maioria envolvem a religião). O que tem ali é uma explosão-desabafo tão grande que chega a ser histérica e quebra toda a suavidade criada pelos planos desse Moctezuma, que acaba tornando toda a situação, que devia ser sensorial no mínimo metafísica, uma grande comédia involuntária e impossível de se levar a sério. Se já não bastasse isso, a criatividade na composição das cenas (mise en scéne que o diga, cadáveres em uma igreja [!]) acaba sendo abafada por um monte de berros (no sentido literal mesmo) que destroem qualquer atmosfera que o filme poderia tentar criar. Enfim, acho que isso resume todo o meu desprazer ao ver essa coisa.

Hilário.

1/5


Bozzetto e sua Itália

Vídeo bobinho, que parece ter sido feito meticulosamente no Paint e animado no Windows Movie Maker, além da trilha de compositores clássicos. Mas é agradável e dá pra ter uma noção da acidez e o timing cômico presente em Música e Fantasia (esse o único qual vi dele). Como prometido, aqui vai:


3 filmes que todos deviam conhecer

1. A Tênue Linha da Morte (Errol Morris, 1988)

Dizem que Errol Morris, que antes era jornalista, passava incansáveis horas estudando o caso do assassinato de um policial em Dallas, que resultou numa importantíssima obra sobre o mesmo – que é esse filme aqui. E o cara poderia usar todo o caso como plot pra algum filme de investigação policial ou até mesmo um documentário estruturalmente comum, mas não. O que há em The Thin Blue Line é o meio termo entre esses dois e a quebra da imparcialidade que se tinha em documentários para apresentar um grande sistema que gira em torno do caso do assassinato. É o atrito entre a ficção e a realidade, reconstruindo um retrato daquele momento diversas vezes por meio da linguagem audiovisual, isso em uma apresentação gradativa de provas e fatos que, com as versões de cada pessoa envolvida dadas sucessivamente, destroem a anterior. É o conflito entre todos os envolvidos, desde o acusado pelo assassinato até a polícia, em entrevistas que são concebidas exclusivamente para o filme. E todo o quebra-cabeça de imagens e fatos, verdades e mentiras (Welles!) que torna-se uma enorme discussão, conclui-se com um discurso que, em expressões que o torna cínico, nos traz a verdade sobre tudo aquilo. Filme assustadoramente consciente e magistralmente conduzido.

5/5

2. Música e Fantasia (Bruno Bozzetto, 1976)

Música e Fantasia tá entre as grandes sátiras do cinema. Lançado em VHS e famoso na década de 80 aqui no Brasil, foi logo esquecido na década seguinte. É um filme de estrutura parecida àquele em que satiriza: são imagens desconexas em animação sendo acompanhadas de uma orquestra e cortes para a realidade (aqui, indo além da apresentação das músicas e da banda), que resultam em um filme de poder sensorial e beleza estética piores que o seu amigão Fantasia (embora cheguem perto), mas que não são nada perto de suas ácidas críticas que não se restringem apenas à animações certinhas, mas também à política (Bozzetto é um grande odiador da política italiana, demonstrou isso em outro curta que, quando lembrar o nome, posto aqui) e sociedade. E para uns malucos como eu, ainda há a quebra do barroco no filme: uma enorme sátira que se foca no antropocentrismo (deixando o teocentrismo de lado [quebrando também o dualismo]), dada de forma direta, mas mesmo assim baseada em metáforas (acabando com os exageros, mas mantendo a figura de linguagem), e sempre pessimista em suas coloridas imagens sob a situação social da Itália.

4/5

3. Lua-de-Mel ao Meio-Dia (Roy Boulting, 1966)

Tá entre os filmes mais bonitos do mundo. É simples, tem sua força principalmente nos diálogos e fala sobre a transição do tempo usando como meio o casamento, na criação de uma nova família e o abandono de uma antiga. Nos apresenta os casuais problemas, desde a busca por independência (casa própria, emprego) do casal até o que intervém entre os dois no mundo externo. O olhar do Boulting sobre um novo tipo de relacionamento que estava para ser criado (deixando de lado a mulher como dona de casa), separa os dois durante o dia e os unem durante a noite, sem longas conversas e sem sexo, mas algo que é suficiente para chamá-los de casal: afinal, por mais que haja problemas, podemos dar um jeito. Um filme comum, mas com um grande coração. Aliás, além desse filme, o diretor precisa ser desenterrado por completo.

4/5


A ópera do Maestro

Pat Garrett & Billy the Kid (Sam Peckinpah, 1973)

Já na decadência do western (esse aqui o último legítimo do Peckinpah, mas que nunca abandonou alguns dos elementos em seus filmes), Pat Garrett & Billy the Kid é o desfecho de toda uma era de glória. É o Velho Oeste moribundo como ode e representação do gênero, os espaços abertos sendo substituídos por casinhas nem tão precárias que já representavam o início de uma nova era para a história americana. É Peckinpah destruindo seus personagens e o próprio gênero gradativamente, onde a única sensação de felicidade só se tem quando Pat Garrett ou Billy the Kid, os anti-heróis do Maestro,  estão num bordel ou cavalgando nos enormes campos dentro desse road movie sem carros e sem estradas, sem roncos de motores, sem arrancadas de pneus – mas que abriga a mesma sensação de liberdade. Por que nesse nostálgico e sem esperança universo de Peckinpah, um homem é formado de lembranças; se alguma o incomoda, ele deve solucionar – por mais que isso seja a auto-destruição. E no final, a ópera termina, o Velho Oeste morre e leva consigo uma lenda; o que sobra dela está estilhaçada por dentro. Mas sempre haverá a história, nas lembranças, e nas fotos. Uma enorme poesia, cruel e linda.


E pra confirmar minha preguiça

O que importa aqui é como Fulci, que dizem ter sido criado por leões, cabra ruim que eu preciso conhecer mais, enfim, o que importa é como ele filmou essa cena.


Pra não passar em branco

Véi, na boa, essa música…


Esposamante (Marco Vicario, 1977)

Não curti muito o filme não, mas esse Marco Vicario ou já deve ter dirigido uns filmes pornôs ou já visto muito, porque as cenas de sexo de Esposamante beiram a perfeição, não por excitar todo mundo (esse aí é o Ferrara), mas por capturar tão bem as expressões de seus atores que dá pra acreditar que aquilo é real. Repara nos detalhes:

E após acabar com o homem (os homens, na verdade), a vadia finge que nada aconteceu, pega um cigarro e fuma. Vicario, que crueldade!


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